Saúde nas redes começa antes da consulta, e IA já entra nessa jornada, aponta estudo
Pesquisa da Macfor analisou 28,5 mil menções públicas e 1.080 respostas de ChatGPT e Gemini para entender como pacientes buscam informação sobre doenças crônicas
03.11.2026

A busca por informações sobre saúde nas redes sociais acontece principalmente antes da consulta médica.
Segundo o estudo “Saúde & influênc.IA”, desenvolvido pela Macfor, 80,7% dos relatos de experiência do paciente identificados nas plataformas analisadas estavam relacionados ao período anterior ao atendimento profissional.
Nessa etapa, dúvidas sobre sintomas, possíveis causas, formas de alívio e o momento adequado para procurar um médico aparecem com maior frequência.
O levantamento analisou 28.516 menções públicas sobre doenças crônicas e também avaliou 1.080 respostas produzidas por ChatGPT e Gemini a 540 perguntas sobre saúde.
Redes sociais entram na jornada antes do consultório
Entre os relatos classificados como experiência do paciente, 12,6% estavam relacionados à compreensão ou validação de uma hipótese diagnóstica e 6,7% tratavam de tratamento e acompanhamento.
Apesar de aparecer em menor volume, a etapa relacionada à compreensão do diagnóstico concentrou a maior proporção de sentimento negativo, com 18%, ante 17% no pós-consulta e 14,7% antes do atendimento.
Segundo a pesquisa, quatro das cinco perguntas mais recorrentes nos relatos estavam concentradas justamente no período anterior à consulta.
As dúvidas envolviam principalmente normalidade dos sintomas, possíveis causas, formas de aliviar o problema e necessidade de procurar atendimento.
Medo e ansiedade aparecem nos relatos
O estudo identificou medo ou ansiedade em 8,7% das publicações pessoais classificadas como relatos de experiência do paciente.
Para Fabrício Macias, cofundador e VP de Marketing da Macfor, a redução no volume de relatos em etapas mais complexas não significa necessariamente que as dúvidas tenham sido resolvidas.
“É justamente nessa etapa que aparece a maior proporção de sentimento negativo”, afirma.
Conteúdo institucional e experiência pessoal mostram diferenças
Na amostra total, 81,7% das publicações apresentavam características informativas ou institucionais, enquanto 18,3% continham marcadores de experiência do paciente.
Dentro desse segundo grupo, influenciadores e perfis pessoais representaram 53,7% dos emissores identificados.
Médicos e especialistas corresponderam a 19,5%, enquanto clínicas, hospitais e institutos somaram 3,3%.
A pesquisa também encontrou diferenças na percepção emocional entre esses dois tipos de conteúdo.
No caso da diabetes, por exemplo, o sentimento negativo apareceu em 19,8% dos relatos de experiência do paciente, contra 7,2% nas publicações institucionais ou informativas.
ChatGPT e Gemini respondem de maneiras diferentes
Na segunda etapa, a Macfor analisou respostas do ChatGPT e do Gemini a perguntas relacionadas à saúde.
Foram observados quatro aspectos: presença de alertas ou orientações para procurar atendimento, uso de vocabulário relacionado a diagnóstico, inclusão de uma pergunta ao final da resposta e indicação explícita de fontes.
Segundo o levantamento, o ChatGPT apresentou algum alerta ou orientação para buscar atendimento em 71,1% das respostas, contra 60,4% do Gemini.
Já o uso de termos relacionados a diagnóstico ficou mais próximo entre as ferramentas: 56,5% no ChatGPT e 58,7% no Gemini.
Referências e continuidade da conversa apresentam maior diferença
Os contrastes ficaram mais evidentes na forma como as respostas terminavam e na presença de referências.
O Gemini encerrou 76,9% das respostas com uma nova pergunta, enquanto isso aconteceu em 50,6% das respostas do ChatGPT.
A diferença foi ainda maior na indicação explícita de fontes.
Segundo a pesquisa, referências apareceram em 53,9% das respostas analisadas do Gemini e em 0,7% das respostas do ChatGPT.
O levantamento, no entanto, não avaliou a qualidade, a precisão ou a validade clínica dessas fontes.
Etapa da jornada também influencia a resposta
Quando os pesquisadores analisaram as respostas de acordo com o momento da jornada do paciente, também encontraram variações.
No período anterior à consulta, 99,7% das respostas avaliadas apresentaram algum alerta ou orientação para buscar atendimento.
Nas perguntas ligadas à compreensão ou validação de hipóteses e diagnósticos, 80,8% utilizaram vocabulário diagnóstico.
No pós-consulta, 61,1% das respostas terminaram com uma nova pergunta, indicando continuidade potencial da interação.
Estudo não mede acurácia médica
A própria Macfor ressalta que o levantamento tem caráter descritivo e exploratório.
A pesquisa não avaliou se as respostas de ChatGPT e Gemini estavam clinicamente corretas, não acompanhou pacientes reais utilizando as plataformas e não permite estabelecer relação causal entre o conteúdo publicado nas redes e as respostas fornecidas pelos modelos.
A frente de social listening reuniu menções publicadas entre 20 de julho e 19 de agosto de 2026 em Instagram, Facebook, Bluesky, LinkedIn e Reddit.
Foram acompanhadas conversas sobre 15 condições crônicas, entre elas diabetes, hipertensão, fibromialgia, asma, enxaqueca, obesidade, endometriose, hipotireoidismo e lúpus.
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