Possível proibição das bets acende alerta no mercado publicitário brasileiro
Setor movimentou quase R$ 3 bilhões em compra de mídia em 2025 e se tornou presença relevante em TV, digital, futebol e grandes eventos; governo prepara medida para restringir atuação das plataformas
25.09.2026

A possibilidade de o Governo Federal proibir a atuação das plataformas de apostas e jogos online no Brasil coloca o mercado publicitário em alerta diante do peso que as bets conquistaram entre anunciantes e patrocinadores nos últimos anos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem defendendo publicamente o fim das plataformas de apostas no País. Na quarta-feira (23), durante evento no Rio de Janeiro, voltou a afirmar que pretende acabar com as bets. Paralelamente, o governo trabalha na elaboração de uma Medida Provisória sobre o setor.
Apuração publicada pelo SBT News aponta que o governo avalia uma proibição abrangente, incluindo apostas esportivas e cassinos online. Até a publicação desta reportagem, porém, o texto definitivo da MP ainda não havia sido divulgado oficialmente.
A decisão pode produzir consequências diretas para a indústria da comunicação. As plataformas de apostas ganharam espaço entre os maiores anunciantes brasileiros e passaram a ocupar propriedades de mídia, transmissões esportivas, patrocínios de clubes e grandes eventos.
Bets movimentaram quase R$ 3 bilhões em mídia
Dados do Ibope Advertising Intelligence publicados pelo Meio & Mensagem mostram que 15 empresas do setor presentes no ranking dos 300 maiores anunciantes somaram R$ 2,97 bilhões em compra de mídia em 2025, ante aproximadamente R$ 2,09 bilhões no ano anterior.
Entre as companhias aparecem Betano, Betnacional, BetMGM, Superbet, Bet365, Sportingbet, 7KBet, Esportes da Sorte, Novibet, KTO e outras plataformas.
A presença da categoria criou uma cadeia de investimentos que alcança emissoras de televisão, plataformas digitais, veículos de mídia, agências e propriedades esportivas.
Por isso, uma eventual interrupção das operações e da publicidade das empresas exigiria uma reorganização de contratos e receitas em diferentes áreas da indústria.
Agências e veículos acompanham impacto
Profissionais de mídia ouvidos pelo Meio & Mensagem avaliam que televisão e digital estariam entre os ambientes mais diretamente afetados pela saída das plataformas.
O impacto também alcançaria agências que estruturaram equipes para atender contas do segmento.
A Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap) afirmou ao veículo que acompanha a possível edição da MP em diálogo com suas associadas e entidades do setor e aguarda o texto definitivo para avaliar seus efeitos.
Segundo a entidade, ainda não é possível dimensionar com precisão o impacto econômico de uma eventual proibição.
Futebol concentra patrocínios
Outro território diretamente ligado ao setor é o esporte.
As casas de apostas se tornaram patrocinadoras de clubes e transmissões de futebol e ampliaram sua presença em propriedades esportivas nos últimos anos.
Clubes e entidades do futebol reagiram à possibilidade de restrições, argumentando que uma interrupção abrupta dos investimentos teria consequências financeiras para as equipes. O governo, por sua vez, avalia medidas de apoio ao futebol paralelamente às mudanças previstas para as bets, segundo apurações publicadas nesta semana.
A discussão também envolve os contratos de mídia das próprias competições. Durante a Copa do Mundo de 2026, por exemplo, empresas de apostas estiveram entre os patrocinadores das transmissões brasileiras.
Eventos também podem perder patrocinadores
O alcance da categoria ultrapassa o esporte. Bets passaram a investir também em grandes propriedades de entretenimento e música.
A Superbet esteve entre as patrocinadoras do Rock in Rio 2026 e já havia utilizado o território de festivais em outras ocasiões, enquanto outras empresas do setor também construíram presença em eventos culturais.
Caso a proibição ampla seja confirmada, contratos de publicidade, patrocínio e ativações poderão precisar ser revistos.
O tamanho desse impacto, porém, dependerá do conteúdo final da Medida Provisória, das regras de transição e do alcance das restrições estabelecidas pelo Governo Federal.
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