Inovação, IA e a Liderança Feminina: Reflexões sobre o Web Summit Qatar 2026

Evento em Doha reforça mudança estrutural no marketing e no varejo, com foco em agentes de IA, transformação de modelos de negócio e liderança mais diversa

Inovação, IA e a Liderança Feminina: Reflexões sobre o Web Summit Qatar 2026

O Web Summit Qatar 2026 representou um momento decisivo para a tecnologia global, se consolidando como um espaço onde a inovação transcende ferramentas isoladas para formar a base de novos ecossistemas. Como única brasileira confirmada no quadro de palestrantes, representei a WPP e a Pmweb, a VML Company, levando para Doha discussões fundamentais sobre o futuro da liderança e do mercado.

Durante o evento, as sessões destacaram que o crescimento em 2026 exige uma coragem renovada para transformar modelos de negócio antes que a obsolescência seja imposta pelo mercado.

A Liderança Feminina como Eixo da Transformação Tecnológica A construção de carreiras em tecnologia ainda é marcada por barreiras estruturais significativas, como o viés de gênero inconsciente, que é apontado como o maior desafio por 68,3% das mulheres no setor. Além disso, cerca de 80% das mulheres sentem que precisam de trabalhar mais do que os homens para provar o seu valor em ambientes de alta exigência.

Para enfrentar este cenário, apresentei caminhos para a liderança que enfatizam a necessidade de uma voz ativa na busca por oportunidades e negociações de projetos. A inteligência artificial surge aqui como ferramenta de avanço que permite ganhos de produtividade de 30%, como já observado com a plataforma WPP Open, mas o seu uso deve ser crítico para não reproduzir desigualdades históricas.

A humanização da inovação surge como o diferencial competitivo definitivo, onde competências humanas como a empatia, a escuta ativa e a intuição tornam-se essenciais num ambiente de trabalho cada vez mais híbrido e automatizado. A liderança moderna deve também ser capaz de integrar diferentes gerações e procurar a excelência sem o perfeccionismo paralisante que compromete a saúde mental.

A Nova Era dos Ecossistemas e a Revolução da IA A realidade atual do mercado é caracterizada por uma convergência brutal onde retalhistas se tornam empresas de média dimensão e as plataformas de tecnologia assumem papéis no retalho.

No palco de New Media, a discussão centrou-se na ideia de que tudo se tornou mídia, mas nada funciona como no passado. As empresas cometem frequentemente o erro de focar apenas em novos canais em vez de compreenderem que a natureza fundamental da mídia se transformou para novos ecossistemas. Estamos a viver três mudanças fundamentais que incluem a transição do display para o diálogo através de pesquisas conversais e multimodais, a mudança do passivo para o proativo com mídia que antecipa necessidades e o fim do broadcast em favor de uma personalização individual em escala física. Para navegar neste cenário, é essencial que a marca seja conversável em linguagem natural, contextual para estar onde o momento acontece, conectada para que os dados falem com agentes de IA e credível para ser recomendada pelos sistemas.

O Futuro da Descoberta: Do Funil Tradicional à Execução Invisível A grande verdade deste novo cenário é que o principal concorrente de uma marca já não é outra marca, mas sim a interpretação que uma inteligência artificial faz da sua categoria.

O modelo tradicional de descoberta foi radicalmente alterado e o funil clássico de consciência, consideração e compra está a ser substituído por uma nova lógica de relevância para a IA, confiança do agente e execução invisível. Um agente de IA não passa por estágios prolongados de consideração, pois ele avalia e decide em segundos.

Se a marca não estiver otimizada para a forma como a IA pensa, ela deixa de existir no conjunto de consideração do consumidor. Essa transformação exige que as empresas passem de simplesmente serem encontradas para serem escolhidas por agentes automatizados.

A Reinvenção como Motor de Crescimento O crescimento em 2026 não é mais uma questão de pequenos ajustes, mas sim da coragem de transformar o modelo de negócio antes que a própria dinâmica do mercado o torne obsoleto.

A minha experiência no Web Summit Qatar foi a confirmação de que estamos vivendo um momento histórico de convergência. Estar em Doha foi uma oportunidade de validar que o futuro que estamos construindo no Brasil ressoa com as tendências globais mais avançadas.

Deixo o Qatar com a convicção de que o protagonismo feminino não é apenas um tema de diversidade, mas o pilar central para uma inovação mais ética, crítica e sustentável. Seguiremos trilhando esse caminho, integrando tecnologia e humanidade para transformar o marketing e o varejo.

Quer continuar essa conversa sobre os bastidores de Doha e o futuro do nosso setor? Me chama aqui!

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