Inflação força troca de marcas nos supermercados

Com nove meses consecutivos de alta nos preços dos alimentos, o consumidor brasileiro adotou novas estratégias para conter gastos. Segundo pesquisa nacional do Ipsos-Ipec encomendada pelo C6 Bank, 69% dos…

Adnews

30.06.2025

Inflação força troca de marcas nos supermercados

Com nove meses consecutivos de alta nos preços dos alimentos, o consumidor brasileiro adotou novas estratégias para conter gastos. Segundo pesquisa nacional do Ipsos-Ipec encomendada pelo C6 Bank, 69% dos entrevistados deixaram de comprar algum item nos últimos seis meses devido à inflação. Para economizar, 44% trocaram marcas mais caras por opções mais acessíveis. As informações são do Estadão.

A redução no volume de compras também se intensificou: 35% diminuíram o consumo de café e 24% deixaram de adquirir iogurte. Entre as proteínas, 35% substituíram carnes de primeira por cortes de segunda, frango ou carne suína. Outros 22% trocaram carne por ovos, enquanto 21% reduziram o consumo de ovos. O azeite de oliva foi eliminado da cesta de compras por 40% dos consumidores.

A pesquisa ouviu dois mil internautas de todas as classes sociais entre o fim de maio e meados de junho. Os dados mostram que, apesar dos primeiros sinais de recuo, os preços seguem altos. Na prévia da inflação de junho, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), alimentos e bebidas tiveram queda média de apenas 0,02%, após nove meses de alta. Em 12 meses, o grupo acumula alta de 6,94%, acima da inflação geral de 5,27%.

O café foi um dos produtos mais afetados, com aumento de 81,62% em 12 meses. Apenas em junho, teve alta de 2,86%, ainda que inferior ao ritmo de maio (4,82%). O movimento de substituição de marcas, apontado pela pesquisa, é observado de forma contínua nos supermercados desde o fim de 2024, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

De acordo com o economista-chefe do banco BMG, Flávio Serrano, serão necessários alguns meses de queda persistente nos preços para que a população perceba uma melhora. Ele projeta taxas de inflação de alimentos mais baixas nos meses de junho, julho e agosto, com possibilidade de nova alta no final do ano.

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