Fórum E-Commerce Brasil 2026 revela os próximos movimentos do comércio digital

Maior edição da história reuniu mais de 62 mil participantes e mostrou como inteligência artificial, dados, meios de pagamento, conteúdo e logística passaram a orientar as decisões das empresas no varejo digital

Fórum E-Commerce Brasil 2026 revela os próximos movimentos do comércio digital
Alexandre Azevedo, Editor do portal Tudo Sobre CDP

O Fórum E-Commerce Brasil 2026 encerrou sua 17ª edição consolidando-se como um dos principais encontros do comércio digital brasileiro. Durante três dias, lideranças empresariais, especialistas e executivos discutiram como inteligência artificial, dados, meios de pagamento, logística e produção de conteúdo estão redesenhando a forma como empresas vendem, se relacionam com consumidores e conduzem seus negócios.

Realizado entre 28 e 30 de julho, no Distrito Anhembi, em São Paulo, o evento reuniu 62.336 participantes. Segundo a organização, 39% do público era formado por C-levels, founders e sócios, enquanto gerentes e coordenadores representaram 46% dos presentes.

A programação contou com 703 palestras, 813 palestrantes e mais de 478 horas de conteúdo distribuídas entre as plenárias de Marketing & Vendas, Gestão & Operações, Tecnologia & Inovação, Marketplace & Canais de Vendas e Arena Pulsar.

Mais do que apresentar novidades, o Fórum ofereceu um panorama consistente sobre a evolução do comércio digital. Os debates mostraram que competitividade depende cada vez mais da capacidade de integrar tecnologia, informação e gestão para responder com rapidez às mudanças do mercado.

Inteligência artificial passa a ocupar um papel central

A inteligência artificial esteve presente em praticamente toda a programação, mas o foco das discussões mudou. O interesse deixou de se concentrar na geração de textos e imagens para avançar sobre automação de processos, personalização em tempo real e comércio agêntico.

Nesse modelo, sistemas inteligentes pesquisam produtos, comparam alternativas, recomendam ofertas, negociam condições e participam de diferentes etapas da compra. Isso amplia o potencial da tecnologia, mas também aumenta a necessidade de dados confiáveis, sistemas integrados e equipes preparadas para um novo modelo de gestão.

Empresas como Google, NVIDIA, Magazine Luiza, Samsung, Lenovo, TikTok, Mercado Livre e Grupo Casas Bahia apresentaram aplicações que mostram como a inteligência artificial já faz parte da rotina do comércio digital.

Dados tornam-se base para decisões estratégicas

Outro tema recorrente foi a qualidade das informações utilizadas pelas empresas.

Os debates destacaram que coletar dados já não é suficiente. O desafio está em conectar informações de diferentes canais para compreender hábitos de consumo, identificar oportunidades e apoiar decisões de forma mais precisa.

Essa abordagem aproxima áreas como marketing, tecnologia, produto e negócios, permitindo que informações geradas em diferentes pontos da empresa contribuam para melhorar resultados.

Tiago Santos, General Manager da Danone Brasil, reforçou essa visão ao defender o uso integrado de dados e tecnologia como fator de inovação e crescimento sustentável.

Pagamentos evoluem junto com a confiança

A Cielo levou ao Fórum um estudo realizado em parceria com o Instituto Expertise sobre o comportamento dos varejistas brasileiros.

Segundo a pesquisa, 95% dos lojistas utilizam o WhatsApp como canal de vendas, enquanto 68% já integram lojas físicas e digitais.

O levantamento também revelou que 56% utilizam inteligência artificial para ampliar as vendas online. Em contrapartida, apenas 42% afirmam usar dados para orientar decisões estratégicas e 52% ainda não monitoram a taxa de abandono de carrinho.

Os números revelam um cenário de rápida adoção tecnológica, mas também indicam espaço para avanços na gestão das informações e na eficiência comercial.

A segurança dos pagamentos também ganhou destaque. Para 63% dos lojistas, reduzir riscos de fraude é prioridade. Temas como tokenização, biometria e inteligência artificial dominaram os debates sobre o futuro dos meios de pagamento.

Conteúdo amplia seu papel nas vendas

O TikTok Shop apresentou uma das mudanças mais significativas na relação entre marcas e consumidores.

O conceito de Discovery Commerce parte da descoberta de produtos durante o consumo de vídeos, transmissões ao vivo e conteúdos produzidos por criadores, reduzindo a dependência das buscas tradicionais.

Nesse modelo, entretenimento, demonstração de produtos, interação e compra acontecem no mesmo ambiente.

Os resultados apresentados mostram a velocidade desse movimento. No primeiro ano de operação no Brasil, o TikTok Shop registrou crescimento de 102 vezes no GMV médio diário mensal. A média de criadores afiliados ativos aumentou 46 vezes, enquanto o número de transmissões ao vivo cresceu 20 vezes. O GMV gerado pelas lives avançou 161 vezes entre maio de 2025 e maio de 2026.

Durante o Fórum, marcas como Ybera, Coala, Vanish e Principia participaram de ativações que movimentaram GMV de seis dígitos ao longo dos três dias.

Crescimento passa pela eficiência

As discussões sobre marketplaces indicaram uma mudança de prioridades.

Depois de um período marcado pela expansão acelerada, empresas passaram a concentrar esforços em rentabilidade, eficiência logística, custo de aquisição, mídia e gestão do sortimento.

As estratégias Direct to Consumer também ganharam espaço ao permitir que fabricantes ampliem o relacionamento direto com consumidores e desenvolvam canais próprios, assumindo, ao mesmo tempo, novos desafios relacionados à tecnologia, atendimento, pagamentos e logística.

Conhecimento e negócios caminham juntos

Além da programação técnica, o Fórum fortaleceu seu papel como ambiente para geração de negócios.

O espaço Mundo Empreendedor, realizado em parceria com o Sebrae, reuniu conteúdos voltados a micro e pequenos empreendedores, sellers e empresas em expansão.

As rodadas de negócios movimentaram R$ 57 milhões e promoveram 206 reuniões internacionais com compradores de 13 países. A plataforma Match Online registrou mais de 2,1 milhões de conexões entre participantes, ampliando as oportunidades de relacionamento comercial.

Um retrato do comércio digital brasileiro

A edição de 2026 apresentou um setor mais integrado, orientado por dados e cada vez mais apoiado em inteligência artificial.

Tecnologia, conteúdo, pagamentos, logística e informação deixaram de ser tratados como iniciativas independentes. Hoje, influenciam diretamente a competitividade das empresas e a capacidade de responder às mudanças do mercado.

Mais do que reunir tendências, o Fórum E-Commerce Brasil ofereceu um retrato consistente do momento vivido pelo comércio digital. O crescimento passa menos pela adoção isolada de novas tecnologias e mais pela capacidade de conectá-las à estratégia do negócio, tornando decisões mais rápidas, operações mais eficientes e a relação com o consumidor mais consistente.

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