Fernanda Lima debate finitude, tempo e cuidados paliativos com a Dra. Ana Cláudia Quintana Arantes
No sexto episódio da sétima temporada do podcast 'Zen Vergonha', a apresentadora compartilha memórias sobre a perda de sua mãe e conversa com a empresária Marina Romitti, que convive com metástase há sete anos
17.06.2026

Em uma cultura ocidental habituada a adiar conversas difíceis e a tratar a morte como um tabu intransponível, a apresentadora Fernanda Lima dedicou o sexto episódio da sétima temporada de seu podcast, 'Zen Vergonha', para discutir a finitude humana. O programa reuniu a empresária Marina Romitti e a médica geriatra Dra. Ana Cláudia Quintana Arantes, uma das principais referências em cuidados paliativos no Brasil, para propor uma reflexão profunda sobre o valor do tempo presente e a ressignificação do fim da vida.
O debate foi aberto com o depoimento de Marina Romitti, que há sete anos enfrenta o diagnóstico e o tratamento de uma metástase decorrente de um câncer de mama. Idealizadora do perfil "Viver com Metástase" no Instagram, Marina compartilha sua rotina sem filtros ou romantizações, utilizando a plataforma para conscientizar a sociedade de que o diagnóstico de uma doença crônica ou terminal não anula a possibilidade de viver com qualidade, afeto e propósito.
A Ilusão do Tempo e a Autenticidade
A Dra. Ana Cláudia Quintana Arantes, autora do best-seller “A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver”, trouxe uma perspectiva clínica e filosófica sobre como a negação da morte afeta a rotina de indivíduos saudáveis. Segundo a médica, a falsa sensação de que a vida é um recurso infinito faz com que as pessoas desperdicem conexões genuínas e adiem resoluções importantes.
A paliativista provocou o público ao apontar que a maior perda não está na morte em si, mas em passar a existência desempenhando papéis artificiais para atender a expectativas alheias.
“Quando você acha que você tem tempo, deixa para depois. A melhor medida do nosso tempo é o quanto a gente conseguiu ser nós mesmos”, pontua a Dra. Ana Cláudia Quintana Arantes.
Ela acrescentou que pacientes sob cuidados paliativos costumam desenvolver uma sensibilidade aguçada, passando a valorizar pequenos confortos físicos, emocionais e sensoriais que a correria diária costuma eclipsar.
Acolhimento e Memórias Afetuosas no Hospital
O tom do episódio ganhou contornos biográficos quando Fernanda Lima relembrou as experiências pessoais que teve com a perda de seus pais. A apresentadora contrastou a partida repentina de seu pai, vítima de Covid-19 no auge da pandemia, com o processo de despedida de sua mãe, que faleceu no início de 2024 em decorrência de um câncer no pâncreas.
Fernanda relatou que o suporte da medicina paliativa permitiu transformar os últimos 20 dias de internação de sua mãe em um período de acolhimento e criação de memórias familiares duradouras. A família humanizou o ambiente de UTI e internação, promovendo sessões de massagem e levando apresentações musicais para os corredores do hospital.
“Ainda bem que eu fiz tudo, tudo, tudo nesses últimos 20 dias. Foi uma passagem muito bonita”, confidenciou Fernanda Lima, defendendo que o cuidado com o bem-estar e a dignidade do paciente deve ser mantido até o último instante.
O episódio completo da temporada, que funciona como um convite prático para que os ouvintes reorganizem suas prioridades de vida, já está disponível nas principais plataformas de distribuição de áudio digital.
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