Eventos corporativos investem em experiências imersivas para engajar público e fortalecer marcas

Energy Summit e Zoox Data Revolution integram tecnologia, conteúdo e ativações interativas em modelo que deve se expandir em 2026 networking inteligente, ativações interativas, IA e experiências personalizadas mostram como os eventos corporativos estão se reinventando para criar conexões

Adnews

25.06.2026

Eventos corporativos investem em experiências imersivas para engajar público e fortalecer marcas

O mercado de grandes eventos corporativos atravessa uma transformação no formato de seus encontros. Palestras e painéis tradicionais dividem — e em muitos casos cedem — espaço para ambientes interativos, ativações de marca e recursos tecnológicos que buscam envolver o participante de maneira mais ativa. A mudança reflete uma percepção crescente no setor: a experiência presencial deixou de ser apenas um meio de transmitir conteúdo e passou a ser tratada como produto em si, mesmo em eventos corporativos.

A pesquisa New Research Shows In-Person Events Build Critical Brand Trust in an Era of Growing Consumer Skepticism da Freeman em parceria com a Harris Poll, divulgada em 2025, indica que 95% dos participantes de eventos afirmam confiar mais em uma marca após uma experiência presencial. O levantamento aponta os eventos ao vivo como uma das principais ferramentas para construir percepção positiva em um cenário de ceticismo crescente em relação aos canais digitais.

Eventos como o Energy Summit, voltado à transição energética e sustentabilidade, e o Zoox Data Revolution, que reúne lideranças dos setores de dados, inteligência artificial e cibersegurança, ilustram essa tendência. Ambos vêm ampliando, a cada edição, os espaços dedicados a networking, ativações e troca entre empresas, startups e investidores.

Neste ano, o Energy Summit, amplia sua proposta para além da programação de conteúdo e investe em ambientes de inovação, experiências interativas e conexões de negócios. Em 2026, iniciativas como Favela Inova, Science Arts, E-Light Arena e E-Days reforçam essa estratégia ao integrar impacto social, experiências culturais, universo gamer e demonstrações práticas de tecnologias de mobilidade e energia, além de espaços dedicados a startups, venture capital e matchmaking entre empresas e investidores.

Já o Zoox Data Revolution aposta na inteligência artificial e no uso estratégico de dados para transformar a experiência dos participantes em jornadas hiperpersonalizadas. Vinícius Mathias, diretor de marketing da Zoox Smart Data, revela que a proposta do evento vai além da programação de conteúdo e integra networking orientado por afinidade, análise comportamental e conexões contínuas entre participantes, marcas e executivos. A edição de 2026 deve ampliar o uso de IA aplicada à experiência ao vivo, com recursos que acompanham o público desde o cadastro até o pós-evento, criando interações mais relevantes e alinhadas aos interesses de cada participante. O encontro também deve reunir discussões sobre dados e inteligência artificial com lideranças das principais empresas do Brasil.

Para Márcio Carvalho, CEO da 11ag, agência de brand experience e live marketing que há 27 anos conecta estratégia, tecnologia e visão humana a experiências mensuráveis, o movimento responde a uma mudança de comportamento do público.

"Os participantes estão cada vez menos interessados em experiências passivas. O desafio dos organizadores hoje é criar jornadas que combinem conteúdo relevante, interação e propósito. Quando a tecnologia é aplicada de forma estratégica, ela deixa de ser recurso operacional e passa a contribuir diretamente para o engajamento e para a construção de conexões mais significativas", afirma. A visão é compartilhada por Bruno Gonçalves, especialista em Felicidade Corporativa e Experiência do Cliente:

"O evento passou a ser uma plataforma de relacionamento. A experiência de marca acontece quando o público consegue vivenciar os valores de uma empresa de forma genuína e isso exige criatividade, narrativa e construção estratégica."

A tecnologia aparece como vetor central dessa transformação. Segundo o relatório AI in Events: A Promise Waiting to Be Realized, da Forrester, publicado em 2025, 59% dos profissionais de marketing já utilizam ou planejam utilizar inteligência artificial para criação de conteúdo em eventos; cerca de 50% pretendem aplicá-la em análise de dados e otimização de experiências.

“A expectativa para 2026 é de expansão do uso de IA, análise em tempo real e personalização de jornadas, recursos que, segundo especialistas do setor, tendem a ganhar relevância especialmente em segmentos que dependem de comunidades qualificadas e compartilhamento de conhecimento.” conclui Márcio.

Já Danielle Paulino, CCO da 2a1 Cenografia, empresa responsável por projetos imersivos como a atual edição da Casa Warner em Brasília, abre um adendo importante sobre o tema. Para ela, à medida que a tecnologia ganha protagonismo nos eventos, cresce também a necessidade de criar ambientes capazes de transformar dados, narrativas e conceitos em experiências tangíveis para o público.

"A tecnologia amplia possibilidades e torna as jornadas mais inteligentes, mas a conexão continua acontecendo no mundo real. As pessoas ainda precisam sentir, explorar e interagir com os espaços. O grande desafio dos eventos hoje é encontrar o equilíbrio entre inovação tecnológica e experiência física, transformando informações em ambientes que gerem pertencimento, curiosidade e memória. É quando esses elementos trabalham juntos que a experiência realmente ganha significado", afirma.

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