Duas Imersões na Semana: Jung no MIS e a força de Secos & Molhados
Exposição transforma psicologia em experiência sensorial, enquanto documentário revisita legado cultural do grupo brasileiro
27.11.2025

Essa semana eu queria falar de Carl Gustav Jung.
Não do Jung distante, acadêmico, cheio de termos difíceis, mas do Jung que toca a gente por dentro. Ontem eu estive no MIS, no Museu da Imagem e do Som aqui em São Paulo, para viver a experiência imersiva sobre ele. E olha, é daquelas visitas que a gente sai diferente.
Jung foi psicanalista, filósofo, curioso, inquieto. Um cara que abriu portas que muita gente nem sabia que existiam: os arquétipos, o inconsciente coletivo, as sombras, os símbolos, os sonhos, os recados que a nossa própria alma manda para a gente enquanto a gente dorme e nem sempre quer ouvir quando acorda. A curadoria do MIS conseguiu transformar tudo isso numa experiência sensorial, visual e emocional. É uma exposição que mistura arte, psicologia, comportamento e uma imersão quase narrativa, que faz a gente sentir tudo ao mesmo tempo.
A exposição está belíssima, profunda, instigante. A gente entra achando que vai ver uma mostra e sai vivendo um mergulho pessoal. Um dos momentos mais fortes para mim foi um mural interativo que provoca a gente a olhar para as nossas sombras. Não é spoiler, mas é aquele tipo de reflexão que pega por dentro e convida a escrever num papel as nossas frustrações, bloqueios e dores, e pendurar num varal coletivo. Todo mundo exposto. Todo mundo vulnerável. Uma pequena catarse silenciosa. A verdade é que muita dificuldade nossa nasce porque a gente guarda demais. E Jung sabia disso.
Outra coisa que sempre me encantou nele é a importância que ele dava para os sonhos. Não como bobagem ou fantasia, mas como mensagens que tentam se comunicar com a gente. A exposição também passa por isso e é impossível não pensar nos nossos próprios sonhos, nos medos que carregamos, nos sinais que ignoramos no caminho.
O MIS está de parabéns. A equipe, a curadoria, as escolhas visuais, tudo muito bem cuidado. Às terças-feiras o ingresso é gratuito e nos outros dias o preço é acessível. Estudantes e idosos pagam meia. Vale demais. Eu mesmo vou voltar. Fiquei quase duas horas lá e ainda senti que precisava de mais tempo para absorver tudo.
E minha segunda dica dessa semana é um presente para quem ama música brasileira: o documentário sobre os Secos e Molhados, chamado Primavera nos Dentes. Um grupo que marcou gerações, abriu fronteiras e revelou o talento gigantesco do Ney Matogrosso. A série está no streaming do Canal Brasil, feita pela Santa Rita Filmes e com produção do meu amigo Marcelo Braga. É uma obra de arte. Sensível, bem construída e necessária para entender um pedaço importante da nossa cultura.
Duas imersões nesta semana: Jung, que mergulha para dentro, e Secos e Molhados, que explode para fora. Duas formas de olhar para o mundo e para a gente mesmo.
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