Do gramado ao chat: o marketing conversacional na Copa 2026

O futebol, como poucas coisas na vida, é um ritual. É uma pausa coletiva que, a cada quatro anos, para o mundo e o senta diante da mesma paixão

Mario Marchetti

15.04.2026

 Do gramado ao chat: o marketing conversacional na Copa 2026

Unir a paixão do futebol com a tecnologia conversacional é o ponto de partida para uma conversa vibrante e de escala global, onde, de fato, o marketing está de olho. O caminho para a Copa do Mundo de 2026 é a oportunidade ideal para ver a teoria em ação e refletir sobre o futuro que já está batendo à nossa porta.

O futebol, como poucas coisas na vida, é um ritual. É uma pausa coletiva que, a cada quatro anos, para o mundo e o senta diante da mesma paixão. Já contamos os dias para a Copa de 2026, que não só promete ser a maior da história pelo número de equipes e sedes, mas também se perfila como o palco de uma transformação definitiva na maneira como as marcas se conectam com o torcedor. A pergunta que paira no ar das salas de reunião de muitos de nós é: como passar de um simples espectador no intervalo comercial para ser um companheiro de arquibancada no bolso de cada fã?

Durante anos, o manual de marketing para eventos de massa consistia em uma corrida pelo espaço mais visível, pelo anúncio mais barulhento. Uma estratégia de impacto e, sejamos honestos, de interrupção e invasão. Hoje, vivemos em uma era diferente. Sabemos bem, que num mundo saturado de mensagens, o verdadeiro valor não reside em quem grita mais alto, mas em quem sabe conversar. A tecnologia nos deu as ferramentas para passar do monólogo massivo ao diálogo personalizado, e é aqui que a verdadeira partida começa. É aqui que a verdadeira conexão com o torcedor começa.

Querido leitor, pensemos por um momento na recente experiência da grande emissora brasileira Globoplay durante as Olimpíadas de Paris 2024. Sua abordagem, implementada através do WhatsApp, não foi simplesmente bombardear com informações, mas construir um relacionamento em duas fases. Primeiro, a escuta: utilizaram fluxos conversacionais, chamados WhatsApp Flows, ou seja, um formulário dentro do próprio canal para perguntar diretamente aos usuários sobre seus esportes e atletas preferidos. Atenção a isto: eles não presumiram, primeiro perguntaram. Por mais simples que pareça, este singelo ato de personalização é o alicerce de qualquer relação significativa. Em seguida, a entrega de valor: durante os jogos, enviaram atualizações das competições, a programação do dia e o quadro de medalhas, tudo alinhado com os interesses que o usuário já havia expressado. Uma experiência incrível! Não era publicidade, era um serviço, era como seu melhor amigo informando você sobre o que mais lhe importa no evento.

O resultado? Um engajamento que transcende a simples métrica de abertura e se converte em apreço genuíno pela marca.

Agora, vamos transferir este modelo para o fervor da Copa do Mundo de 2026. A oportunidade é monumental e pode ser articulada em três grandes avenidas:

Merchandising que responde ao momento: Imagine este cenário. Acaba de terminar uma partida eletrizante e o herói do dia marcou um gol inesquecível. Minutos depois, você recebe uma mensagem: "Vibrou com esse gol? A camisa do seu ídolo está esperando por você. Você a quer?". Isso não é um anúncio genérico. É uma conversa contextual, impulsionada por um chatbot que entende a emoção do momento e a converte em uma oportunidade de venda tão fluida quanto natural. A conversão deixa de ser um objetivo para se tornar a consequência de uma boa conversa.

A gestão de ingressos como uma experiência de concierge: Comprar ingressos para uma Copa do Mundo costuma ser uma odisseia digital. Como fãs de futebol, sabemos muito bem disso. E se um chatbot se tornasse seu assistente pessoal? Um sistema que não só notifica quando os ingressos para os jogos da sua seleção estão disponíveis, mas também gerencia listas de espera, oferece pacotes personalizados com outros fãs da sua região e até facilita a transferência segura de um ingresso se você não puder comparecer. A marca deixa de ser um vendedor para se tornar um facilitador, um aliado do torcedor, eliminando atritos e gerando uma lealdade que perdura.

Ativações que fazem você parte do jogo: O verdadeiro engajamento ocorre quando o fã passa de espectador a participante. Durante o intervalo, um chatbot pode lançar um quiz sobre a história das equipes em campo, com um desconto instantâneo na bebida oficial do torneio para quem acertar. Ou uma enquete em tempo real: "Quem você acha que será o destaque do segundo tempo? Vote e participe para concorrer a uma viagem para a final". Essas microinterações, distribuídas por um canal conversacional, transformam minutos de espera em momentos de conexão direta com a marca, mantendo o torcedor engajado e receptivo.

Acredito firmemente que a Copa do Mundo de 2026 será um campo de jogo não apenas para as seleções, mas para que as estratégias de marketing das marcas busquem genuinamente se conectar. O caso do Globoplay nos demonstrou que o caminho não é a interrupção, mas o convite a uma conversa relevante e oportuna. A tecnologia já está aqui. A pergunta que nós, como estrategistas, devemos nos fazer não é se devemos entrar na conversa, mas como vamos fazer com que essa conversa seja memorável, útil e, em última instância, humana.

O apito inicial já soou. Estamos prontos para entrar no campo do diálogo? Seguimos em Beta,

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