Crescimento da IA ameaça meta ambiental do Google
Consumo de energia dos centros de dados prejudica esforços para reduzir a pegada de carbono.
04.07.2024

O Google, em sua jornada para reduzir a pegada digital, se depara com um grande desafio: o crescente consumo de energia da inteligência artificial. Apesar de sua meta de alcançar emissões líquidas zero até 2030, o relatório ambiental anual da empresa revelou um aumento preocupante de 48% nas emissões de gases de efeito estufa desde 2019. Esse crescimento é impulsionado principalmente pelos centros de dados que suportam seus produtos de IA, como o Gemini, exigindo cada vez mais eletricidade e gerando emissões.
O consumo de energia por esses centros e as emissões da cadeia de suprimentos são os principais responsáveis por esse aumento. A Agência Internacional de Energia estima que a demanda por eletricidade dos centros de dados pode dobrar até 2026, exigindo um consumo equivalente ao do Japão. Estima-se que a inteligência artificial possa consumir 4,5% da geração global de energia até 2030.
Essa fome por energia coloca em xeque a meta de emissões líquidas zero do Google. A Microsoft tem enfrentado desafios semelhantes, com o presidente Brad Smith admitindo que a estratégia de IA da empresa comprometeu sua meta de carbono negativo.
Apesar dos desafios, Bill Gates, cofundador da Microsoft, sugere que a inteligência artificial pode ser uma aliada na luta contra as mudanças climáticas. Empresas de tecnologia podem investir em energia renovável para seus centros de dados, reduzindo o impacto ambiental. No entanto, o uso intensivo de energia e as emissões associadas à fabricação e transporte de servidores e chips colocam essa promessa em risco.
Além do consumo de energia, o uso de água também é uma questão relevante. Estima-se que a IA possa ser responsável por até 6,6 bilhões de metros cúbicos de uso de água até 2027, quase dois terços do consumo anual da Inglaterra.
O futuro da inteligência artificial depende de medidas sustentáveis. O desenvolvimento dessa tecnologia deve ser feito de forma responsável, garantindo que seu potencial para o bem não seja comprometido pelo seu custo ambiental.
*Com informações do The Guardian
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