Agentes e café

Texto usa o paralelo entre o preparo do café e a criação de agentes de inteligência artificial para mostrar que, em 2025, deixar de usar IA nas empresas é como insistir no café solúvel em plena era do espresso digital

Horacio Poblete

04.11.2025

Agentes e café

Já não há mais desculpas. Se você chegou até novembro de 2025 sem criar ou sequer brincar com um agente de IA, é como se você morasse ao lado de uma cafeteria premiada, sentir o cheiro do espresso todos os dias... e ainda assim seguir fiel ao seu bom e velho café solúvel de garrafa.

Enquanto você assistia a palestras sobre “transformação digital” e anotava “IA” com canetinha colorida no caderno da firma, o mundo foi virando de lado. Silenciosamente sim e sem pedir licença. Hoje, os agentes estão em todo lugar: no ChatGPT, no suporte da sua operadora, nas automações de marketing da concorrência, no atendimento do e-commerce onde você compra coisas que não precisa. Eles já fazem o que um humano levaria horas. Só que fazem com contexto, com memória, com voz e com um carisma que deixaria muito trainee envergonhado. Mas ainda assim tem muita empresa achando que “é cedo demais”. Que “é melhor esperar pra ver como o mercado vai se comportar”.

Pois bem: o mercado já se comportou. E quem ainda está na arquibancada, torcendo pra entender o jogo, vai descobrir que o segundo tempo começou faz tempo e que os melhores lugares já estão ocupados.

O paralelo do café ☕

Fazer um café e criar um agente têm mais em comum do que parece. Ambos envolvem escolhas, ferramentas, estilo e um certo orgulho de quem sabe o que está fazendo.

Existem os baristas da IA: aquela galera que domina plataformas como N8N, Relevance AI, Crew AI ou o AgentKit da OpenAI com a mesma destreza de quem regula a pressão da água e pesa o grão no grama exato. Essas ferramentas são como as máquinas italianas profissionais, cheias de botões cromados, luzes que piscam e aquele som de vapor que faz qualquer um se sentir um engenheiro da cafeína.

É coisa de quem gosta de entender o sistema. Que sente prazer em fuçar, ajustar, personalizar. De quem não tem medo de colocar a mão na caldeira da IA e mexer no código-fonte da realidade. E quem domina uma dessas... ah, esse sente o gosto fino da personalização total. Mas sejamos honestos: o mundo não é feito só de baristas. E nem precisa ser. Existe também o caminho das máquinas superautomáticas, aquelas que você encontra em cozinhas de coworking ou no cantinho do escritório estiloso. Aperta um botão, sai um café decente. Simples assim. No universo dos agentes, essas belezinhas têm nome e sobrenome: Manus, GenSpark, Lindy e companhia. São plataformas onde você não precisa entender nada de código. Só precisa saber escrever bem, dar instruções diretas e evitar o maior crime da nova era: a ambiguidade nos prompts. Se você for claro, eles fazem tudo. De análise de dados a relatórios resumidos, de e-mails inteiros a planilhas com fórmulas, de resumos comerciais a pequenos aplicativos com interface e tudo. É a revolução do café expresso digital: quente, na hora, com aroma de produtividade e zero sujeira na pia.

O novo meio-termo: SmythOS ☕

E se existisse uma máquina de café queagradasse gregos, troianos, baristas exigentes e quem só quer um espresso sem complicação? Uma híbrida, com dois modos: automático e superautomático. Pois no mundo dos agentes, ela já existe e atende pelo nome de SmythOS. O Smyth é aquele tipo raro de plataforma que não te obriga a escolher um lado. Se você é técnico, vai se deliciar com a possibilidade de criar sistemas complexos com múltiplos agentes conversando entre si, integrando APIs, fluxos e bases de dados como quem monta uma central de inteligência com esteroides. Se você é leigo, pode simplesmente escrever o que quer com clareza e deixar que a própria IA construa o agente pra você, sem queimar a língua ou travar na configuração.

Para médias e grandes empresas, isso é ouro em pó. Uma única plataforma que fala a língua do desenvolvedor e do estrategista de marketing. Que agrada o time de produto e o de RH. E para os times de compliance e governança? Um bálsamo. Com o Smyth dá pra centralizar fluxos, reduzir riscos, manter a rastreabilidade das ações e ainda garantir que cada área tenha liberdade pra inovar e sem abrir mão das regras do jogo. O SmythOS não é só uma ferramenta. É uma ponte entre mundos. Uma cafeteria onde todos podem pedir do seu jeito e sair com a sensação de que estão tomando o melhor café da casa.

O fim das desculpas ☕

Durante anos as startups nos ensinaram que o ideal era lançar rápido: o famoso MVP (Minimum Viable Product). Mas em 2025, o jogo mudou. Viável já não é suficiente. O que importa agora é ser amável, desejável, encantador. O nome disso? MLP — Minimum Lovable Product.

E adivinha quem pode ser o seu primeiro MLP? Um agente. Um agente que resolve um problema real, que entrega valor de verdade, que fala com o cliente no tom certo, na hora certa, com zero fila de espera e 100% de contexto. Por isso, não dá mais pra você empurrar com a barriga. Usar agentes em 2026 será tão essencial quanto saber mandar e-mail em 1999. Ou pior: é como tentar abrir uma startup hoje sem internet. E os que aprenderem primeiro vão colher vantagem emocional e operacional. Vão encantar, agilizar, surpreender. Já os que deixarem pra depois...Ah! Esses vão continuar servindo café morno e de garrafa, enquanto o resto do mercado brinda com um espresso impecável, tirado na hora, com creme na medida e com aquele aroma que todo mundo comenta.

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