A arte que atravessa: o convite ao desfoque e ao encontro na obra de Es Devlin
Em cartaz na Casa Bradesco, a exposição "Sou o Outro do Outro" propõe um mergulho profundo no deslocamento e na alteridade, transformando um passeio pelo Complexo Matarazzo em um respiro necessário para a alma
02.04.2026

Tem dias que a gente não quer só ver alguma coisa. A gente quer sentir. Sair um pouco do automático. Dar uma respirada por dentro. E foi mais ou menos isso que eu encontrei na exposição Sou o Outro do Outro, da Es Devlin.
Não é uma exposição no sentido mais óbvio. É quase como entrar dentro de um pensamento. Ou de vários ao mesmo tempo. Luz, som, imagem… tudo se mistura de um jeito delicado e potente. Você entra e, quando percebe, já não está só olhando. Está participando. Está sendo atravessado por aquilo.
E o que mais me pegou foi isso. Essa sensação de deslocamento. De entender que a gente não está sozinho. Nunca esteve. Que a gente é atravessado pelo outro o tempo inteiro. Pelas pessoas. Pela natureza. Pelos animais. Pelas memórias. Pelos sonhos.
E talvez ser melhor não tenha a ver com ir mais longe. Mas com mais cuidado. A exposição está na Casa Bradesco, dentro do Complexo Matarazzo, no centro de São Paulo. E só o caminho até lá já dá uma mudada no ritmo. Tem alguma coisa ali que convida a gente a desacelerar. A observar.
Depois vale ficar por ali sem pressa. Um café. Um almoço tranquilo. Ou esticar o fim de tarde. Deixar a experiência assentar no corpo. Porque ela não acaba quando você sai. Ela continua.
E pra fechar bem o dia, ali mesmo dentro do Complexo Matarazzo, tem o hotel Rosewood. E ali sim… um belo happy hour. Um drink bem feito, um ambiente lindo, aquela sensação de que o dia encontrou um bom final.
Eu saí de lá com mais perguntas do que respostas. E, pra mim, quando a arte faz isso… ela acerta em cheio. Fica a dica de hoje
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