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16/11/09
Desde o surgimento dos primeiros portais de notícia na internet, a cobrança ou não pelo conteúdo disponibilizado sempre gerou polêmica. Ao longo do tempo, os internautas se acostumaram com a disponibilidade de acesso a serviços gratuitos, mas o cenário pode mudar em breve. (Participe da enquete sobre o tema)
Nesta semana, o presidente da News Corporation, Rupert Murdoch, anunciou que pretende bloquear o conteúdo de seus jornais, entre eles o Wall Street Journal, dos resultados de buscas do Google. Ele considera essa prática "parasitária", pois o Google obtém receita sem arcar com os custos.
O Brasil se inclui no debate. Grandes veículos de mídia como os grupos Estado, Folha e O Globo divulgaram que vão aderir à Declaração de Hamburgo, que trata do reconhecimento dos direitos de propriedade intelectual em textos jornalísticos produzidos em sites. Inclusive, a Folha e o Estado disponibilizaram na web seus jornais na integra em versão digital. Inicialmente, o conteúdo era gratuito, mas agora quem quiser acessá-lo terá que pagar por isso.
Roberto Civita, presidente do conselho de administração e diretor editorial do Grupo Abril, também saiu em defesa da cobrança pelo conteúdo jornalístico na internet. “Se conseguiram fazer com que as pessoas paguem por água engarrafada, porque nós não vamos conseguir que paguem por nosso conteúdo online?”, afirmou Civita em evento da Associação Nacional de Editores de Revistas.
Entretanto, a divergência é ponto a ser considerado. Para a consultora de mídia digital e professora de jornalismo da PUC, Pollyana Ferrari, esse tipo de serviço deve ser gratuito. “A decisão vai totalmente contra a razão da internet. Isso não vai dar certo, o público não vai querer gastar dinheiro com o conteúdo disponível atualmente na web”.
Além dos motivos financeiros, os conglomerados de mídia alegam que jornalismo de qualidade custa caro e que a publicidade não é fonte de renda suficiente para manter uma boa equipe de profissionais. Contudo, Pollyana afirma que há outras soluções para a crise: “Eles decidiram tomar a decisão mais fácil. Pegaram o conteúdo impresso, jogaram na internet e querem cobrar por isso. Mas, o que eles deveriam fazer é investir em conteúdos exclusivos para web e celular. O público quer novidade.”
Uma pesquisa realizada pela Boston Consulting Group revelou que 48% dos internautas norte-americanos consultados pagariam por notícias on-line. A porcentagem chega a 60% em países da Europa Ocidental.
Por Suzana Leite
Carlos - 17/11/09
Gostaria de acrescentar a essa discussão um outro aspecto muito relevante: concordo que o conteúdo, ainda mais produzido com exclusividade, tem um custo e precisa achar um meio de ser remunerado. Mas e esse conteúdo virá da onde? Das mesmas agências noticiosas que abastecem todos os veículos de comunicação impressos ou não, e que padronizam de tal mameira seu conteúdo que não há mais diversidade nele, que dirá profundidade?
Bárbara Hartz - 17/11/09
Uma questão é o conteúdo feito por um profissional que, a meu ver tem de ser pago, e outra é a linguagem do veículo que tem de ser diferenteciada para a Web. As empresas têm de investir na linguagem de cada mídia, mas a cobrança é justa. Quem é jornalista sabe o quanto custa apurar uma notícia ou fazer uma cobertura. Concordo com o Guilherme que o problema é cultural e se o conteúdo tivesse sido cobrado desde o início, a situação hoje estaria resolvida.
Luciano - 17/11/09
Acredito que a cobrança de conteúdo possa ser benéfica pois teríamos dessa forma, pelo menos em algumas áreas da rede, vida mais inteligente. É lamentável ler os comentários nos sites de notícias, emitidos por pessoas totalmente desprovidas de cultura e cidadania.
roaldno marques - 16/11/09
Acho que a Pollyana está certra ao dizer que os provedores de conteúdo devem investir em conteúdos exclusivos, mas isso não os impede de cobrar pelos que disponibilizam hoje, pois, esclusivos ou não isso depende de quem os vê/lê. E alguém dedicou seu talento a produzir esse conteúdo e deve ser remunerado pelo seu trabalho. Não é importa se quem o gerou foi um jornalista no interior da Amazônia ou um jornal de um grande centro. Se alguém o acessou é porque viu valor no conteúdo e, portanto, é justo que pague.
OM
Wilson Trindade - 16/11/09
Acho que o formato do conteúdo disponibilizado a todos gratuitamente deve ser algo genérico, uma saída para cobrar pela informação na Internet (fixa e móvel) é a disponibilização de pacotes customizados por Cliente, ou seja, o Cliente recebe o que quer e precisa e paga por isso.
roberto meira - 16/11/09
Friamante falamos de oferta e de procura. Se os conteúdos conseguirem ser relevantes e as plataformas prestarem algum tipo de serviço,facilidade,inteligencia,reconhecimento, vantagem e beneficio o usuário vai pagar tranquilamente, desde que um valor justo com billing fácil.O que acho de dificil solução é apenas transpor um conteúdo de um meio para o outro. O conteúdo tem que ser pensado desde lá do começo da cadeia.
Pollyana Ferrari - 16/11/09
Ronaldo,
Não sou contra cobrar, mas por algo relevante e novo,não um cozido do impresso atual.
Mas realmente não sabemos qual vai ser o desfecho disso.
abs
Guilherme Berriel - 16/11/09
A questão é cultural. Se tivéssemos cobrado de saída o acesso a determinados conteúdos, não estaríamos agora tendo que reeducar os leitores internautas. Específicos ou não, conteúdos custam dinheiro, e esses custos precisam cobertos de alguma forma. O pior é que o problema explode no momento de queda dos anunciantes. E, por mais paradoxal, a Internet ganha espaço entre os leitores que querem notícias rápidas, novidades e interatividade. Como veículo de comunicação entendo que sem cobrar a qualidade fica comprometida. Então é fazer um planejamento para dissuadir o leitor a pagar um valor compatível para ficar bem informado, oferecendo preços diferenciados para os jornais/revistas impressas e mais baratos para a reprodução na Internet. E também produzindo conteúdo específico para Internet e celular. Vai ser b
Pollyana Ferrari - 16/11/09
Meira,
Acho que você disse tudo, melhor do que eu. Precisa ser relevante, novo para o leitor e não um aproveitamento, um PDF cobrado na maioria das vezes.
abração
Paulo Rosa - 16/11/09
Vejam um artigo que escrevi sobre isso no adnews na semana passada: http://www.adnews.com.br/midia.php?id=96140
Gustavo - 16/11/09
É simples, as pessoas vão migrar para os canais onde o conteúdo permanecerá gratuito. Após este movimento, os grandes grupos de comunicação recuarão e voltaram a oferecer conteúdo gratuito para nao perder 80% de sua audiencia. 10 milhoes de visitantes unicos por mes pode gerar mais receita publicitaria do que ter 5 ou 10 mil anunciantes digitais. É uma questao matematica. Quantos estao dispostos a pagar? sera q isso dará mesmo mais retorno do que publicidade para milhoes de internautas/mes?
Com milhares de sites fornecendo conteudo, e com as Classes C e D tendo cada vez mais acesso a internet, nao acho q essas classes vao pagar pelo conteúdo online. Assim como a maioria dos internautas. Será um passo ousado e que poderá comprometer de vez os principais grupos de comunicação do país.
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